Guia do Principiante em Genealogia
Arthur
de Souza Prates Piccoli
Porto Alegre - Rio Grande do
Sul
| Pois tchê: a palavra GENEALOGIA, na verdade são
duas palavras gregas acolheradas, GENEA que significa geração
e LOGIA que quer dizer discurso.
Já vistes que a Genealogia é o estudo das gerações, das famílias, estuda-lhes as origens, sua evolução, descrevendo-lhes a trajetória e traçando, por vezes, a biografia de seus personagens. Já serviu a genealogia, em tempos passados para traçar as gerações com a finalidade de habilitar à "genere" para aqueles que pretendiam aderir às ordens religiosas e militares, era uma espécie de vestibular à essa ascenção, assim também para as funções da magistratura, nos cargos do Tribunal do Santo Ofício, e para, de resto, todos aqueles que exigissem linhagem confirmada e pureza, a chamada "limpeza de sangue". Hoje em dia, já despida deste caráter estigmatizante, volta-se para a reconstituição dos parentescos, da formação dos grupos e estudos sociológicos formativos de uma região, e também como auxiliar em estudos médicos, sobre a gênese de epidemias por exemplo. Deixou de ser uma disciplina auxiliar da História para ser parte dela, pela abrangência de suas informações. Ao longo do tempo, vem a genealogia se tornando mais e mais complexa, detalhada e muito mais abrangente, devido aos métodos bem mais aprimorados de pesquisa e das múltiplas ferramentas colocadas à nossa disposição pela ciência e, mais importante ainda, pelos companheiros, pesquisadores, que através dos tempos, contribuem com seu legado de pesquisa e despreendimento, nesta estrada que agora inicias a percorrer. Como iniciar? Buenas, antes de mais nada, não te esqueças de acender uma vela para o "Negrinho do Pastoreio" para que ele te ajude a encontrar os dados extraviados pelo tempo! Depois inicie pela maneira mais simples, e que está
à tua mão: as certidões de nascimento.
O iniciante, deve anotar estes dados básicos e, a partir daí, escolher um ramo para se dedicar e iniciar por ele, pode ser: materno-materno, paterno-paterno, materno-paterno e paterno-materno, escolha um deles, para começo aquele que te parecer mais promissor de início, e vá por ele até onde puderes, não tente atacar mais de um nome ao mesmo tempo, e não te afasta desta trilha, só tome um novo ramo depois de esgotar, dentro do razoável, o anterior. Depois dê uma olhada nestes formulários. Mais vale, em pesquisa, ser lerdo como tropeiro de lesma do que andar às tontas sem nunca chegar a lugar algum. Muito bem, já estás de posse dos nomes dos teus pais ( tá feia a coisa se não chegastes até aqui ao menos), tens os nomes dos teu avós, agora a trilha segue por saber onde nasceu este avô ou avó que escolhestes, lembra? Se tens a certidão de nascimento estamos bem, se não, acende mais uma vela e vai conversar com alguém da família para saber a naturalidade dele, pode ser aquela velha tia que vive contando histórias de família, vá conversar com ela, estas pessoas serão uma boa fonte de informações para o iniciante e trarão sempre um colorido todo particular à tua história familiar. Tudo muito bem anotado, pede-lhe que entre em contato com outros parentes que tenham algo mais a acrescentar, lembra-te, relembrar é viver e as pessoas, principalmente as de idade, ansiam por isto e vão te ajudar muito mais do que esperas. Sabes o local de nascimento deles, muito bem, se não for muito longe podes ir aos cartórios da localidade pessoalmente, e pelo nome completo e data aproximada (calcula aí uns 25 a 30 anos para cada geração) tente encontrar o registro. Um pequeno lembrete: Antes de 1891, era raro o uso de cartórios de registro civil, a lei só obrigou a isto após esta data, então, quando chegares nesta parte do caminho, te resta o registro das igrejas, da cúria onde ele foi batizado, podes também lançar mão de um recurso valioso que são os micro-filmes dos Centros de História Familiar da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ou Mórmons simplesmente, eles tem microfilmado uma grande quantidade de informações de nascimentos, casamentos e óbitos, procura em tua cidade e te evitará grandes deslocamentos e uma economia de tempo e dinheiro. Outras Fontes: Certidões de casamentos e óbitos, escrituras de terras, testamentos e inventários, passaportes, retratos e cartas de família também poderão conter informações, até jornais da cidade na época, almanaques, históricos e comerciais podem trazer algo. Não desprezes nada, leia com atenção e calma, e se uma pista surgir, vá atrás. Se este ancestral que procuras, teve uma determinada profissão, poderás encontrar algo nos respectivos órgãos da classe, Juntas de Comércio, Repartições Públicas e Ministérios Militares. A partir daqui, já deverás estar te sentindo como um verdadeiro Sherlock da genealogia, ponha a capa, o boné, pegue a lupa e vá às secretarias das escolas, e faculdades se for o caso, os livros deles possuem informações sobre filiação, nascimento e colação de grau. Irmandades religiosas e Santas Casas de Misericórdia também te esperam. Um pequeno refinamento, mas que poderá acrescentar muito à tua pesquisa, é uma visita aos cemitérios da região, mas reza a lenda que não deves ir à noite ....os livros deles têm as datas de enterramento e as certidões de óbito, poderá estar aí o que procuras. Se quem procuras, era estrangeiro, deves procurar no Arquivo Nacional, pois lá estão os processos de entrada no país na época do Império. Se a chegada foi posterior vai ao Ministério da Justiça. Tchê amigo tropeiro da história, ainda há um recurso, uma cartita escondida na manga, escreve àqueles parentes distantes, te apresenta, diz da tua intenção e pede as informações que te faltam. Se possível já inclui neste chasque, um gráfico a ser preenchido, pois facilitará o trabalho deles e ordenará as informações para ti. Pensas que terminou? Não, ainda tem mais uma cosita ... o catálogo telefônico, hein? Que tal esta? Lá vais achar (com um pouco de sorte) mais um povo com o sobrenome como o teu, escreve à eles também; com a facilidade da Internet, terás acesso, ainda, à listas telefônicas de diversas regiões do teu país e de outras terras, há ainda listas de discussões onde poderás trocar idéias e informações, sem falar das instituições como o INGERS. Caro genealogista (gostastes do tratamento?), paciência e caldo de galinha é o que necessitas para levar adiante esta empreitada, como já dizia aquele ilustre rio-grandense, o Barão de Itararé, de onde menos se espera dali mesmo é que não sai nada ... aliás foi muito bom termos falado no Barão, não ponhas como meta procurar brasões e nobrezas em tua família, isto é puro ouro de tolo, a genealogia não é uma coletânea de nomes, como se fossem borboletas espetadas numa coleção, é, antes e mais, a história da grande aventura humana, te emocionarás com desencontros, grandezas e vilanias, amores e renúncias, está tudo ali, basta querer enxergar. Buenas, o mate está gostoso, a conversa se desenvolve tranquilita no más, mas é chegada a hora, arregaça as mangas, calça as chinelas e toca pro campo a trabalhar que o sol já vem alto. |