Demografia Histórica
Ricardo Costa de Oliveira - Curitiba/PR



 
 
 

 A demografia histórica brasileira revela coisas interessantes. A título de comparação com o mais populoso país americano.

Brasil
Começou a ser colonizado a parti de 1500-1532 efetivamente. 
População total. Números em milhares (000) :

1550 - 15 
1600 - 100
1660 - 184
1700 - 300
1750 - 1.500
1808 - 4.000
1819 - 4.396
1850 - 7.100
1872 - 10.112 com cerca de 1.500 escravos.
1890 - 14.333
1900 - 18.134

Estados Unidos
Começou a ser colonizado a partir de 1607-1620 efetivamente. 
População total. Números em milhares (000) :

1750 - 1.500
1790 - 3.921
1800 - 5.238
1810 - 7.100
1820 - 9.500
1830 - 12.800
1840 - 16.900
1860 - 31.443.O Norte com cerca de 22.000 hab. O Sul tinha cerca de 9.000 habitantes dos quais derca de 3.500 escravos. 
1870 - 38.558
1880 - 50.155
1890 - 62.947
1900 - 75.994

1) Em 1750 as populações seriam relativamente as mesmas em termos de estimativa. O Brasil já incluía quase as fronteiras atuais pelo
Tratado de Madri. Do Rio Grande do Sul até o norte da foz Amazonas. No interior se destacava Curitiba, as vilas do planalto paulista, as
vilas de Minas Gerais. Goiás, Mato Grosso e outros pontos urbanos muito rarefeitos no sertão nordestino e no vale do Amazonas. As
colônias britânicas estavam ao leste dos Apalaches em uma grande concentração em poucas dezenas de quilômetros do Atlântico.
Bandeirantes e Pioneiros. A classe dominante colonial brasileira foi mais ativa em vários aspectos.

2) O Brasil seria um pouco menor em número de habitantes que a Confederação pré Guerra Civil na década de 1860. Havia o Norte Ianque
com cerca de 22 milhôes de hab. e toda a sua carga de progresso.

3) A diferença : 

O Brasil recebeu uns 50 mil portugueses no século XVI e XVII e uns 200 mil na primeira metade do sec XVIII (principalmente em função
das Minas Gerais e mais uns 200 mil de 1760- 1822. O total de portugueses (incluindo ibéricos em geral ) em todo o período colonial não
ultrapassa os 500 mil. De 1820 até o fim do Império em 1889 mais uns 500 mil imigrantes, dos quais apenas a metade foram portugueses. De
1890 até 1970 foram 5 milhões concentrados principalmente no período até 1930. Resultado, o Brasil recebeu cerca de 6 milhões de
emigrantes europeus e algumas dezenas de milhares de sírios-libaneses e japoneses. Mais os cerca de 4 milhões de africanos que vieram
escravizados para o Brasil (a maior proporção das Américas) e cujas condições de vida deterioradas limitaram o seu crescimento vegetativo
no período escravista e do tráfico que durou até 1850. A incorporação de indígenas também foi acentuada e de diversas formas e maneiras
ao longo desse período.

Os Estados Unidos receberam mais de 50 milhões de imigrantes no período que vai do início do século XVII até o mesmo período acima
analisado em 1970. Uma emigração quantitativamente maior (cerca de dez vezes maior que a brasileira) e que foi inicialmente mais
concentrada o que foi uma grande vantagem econômica. Mesmo países como a Argentina receberam no século XIX e XX um contingente
europeu que deve se aproximar do brasileiro em torno de uns 5 milhões de indivíduos.

4) A consequência genealógica é visível. Uma vez que a população brasileira apresentou um crescimento interno muito maior existe a
concentração genealógica em índices muito homogêneos a partir de determinados grupos sociais que compartilham um número muito grande
de antepassados em comum em função da história demográfica brasileira. Por isso é que as genealogias clássicas brasileiras (PE, BA e SP)
têm um sentido singular nas Américas em termos de sua importância e abrangência, ainda mais reforçada quando se analisa a concentração de
renda e de poder político em taxas substantivas no Brasil.

5) O período mais problemático foi aquele de 1800 até 1850. O mundo moderno começou a sua arrancada e o Brasil continuou no velho
regime e manteve o tráfico africano e a escravidão. De 1850 até 2000 o Brasil cresceu tanto como qualquer outra economia mas saímos de
uma base muito arcaica em 1850. A imigração européia e as modernas forças produtivas já estavam disponíveis há décadas e o velho se
encasquetou. 

6) Século XXI. Chegaremos lá de novo !

 

Retorna