Quarta Colônia Italiana
Ernesto
Pellanda, Album Comemorativo do 75o. Aniversário da Colonizacao
Italiana no RS, pag 34 a 64.
Último núcleo da colonização italiana Uma das curiosidades dos que visitam a Quarta Colônia é saber a origem do nome. A explicação é simples - essa foi a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana, a quarta área onde foram distribuídas terras para os italianos que imigraram, no final do século passado, para o Estado. A Quarta Colônia foi criada em 1877 e recebeu o nome de Silveira Martins, em homenagem ao senador gaúcho Gaspar Silveira Martins, político que defendia a imigração. O local escolhido, distante dos demais núcleos de imigração italiana, era composto por terras devolutas situadas na região central, na Serra de São Martinho, que faz parte da Serra Geral. A primeira leva de colonos chegou em 1877 e era composta por 70 famílias, que seguiram de barco pelo rio Jacuí até Rio Pardo e daí de carreta até a serra. A Quarta Colônia abrange os municípios de Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Silveira Martins, São João do Polêsine e partes dos atuais municípios de Santa Maria (Arroio Grande e Itaára) e de Restinga Seca (Três Vendas, São Rafael, Santuário e Várzea do Meio), somando uma área de 2,5 mil quilômetros quadrados e com uma população total próxima de 65 mil habitantes - cuja grande maioria (74,4%) reside no meio rural. Como são precárias as condições de hospedagem na Quarta Colônia, estabeleça sua base em Santa Maria, onde existem hotéis muito bons. Silveira Martins foi a sede da Quarta Colônia da Imigração Italiana organizada pelo Governo Imperial a partir de 1877. Situada sobre a Serra de São Martinho, na Serra Geral, é uma das áreas piloto da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica no Estado. As pessoas que visitarem a cidade devem aproveitar para conhecer localidades típicas como Val Feltrina, Val de Buia e Pompéia, onde encontrarão toda uma arquitetura típica, baseada em pedra e tijolos, uma característica da paisagem rural e urbana das localidades de imigração italiana na Região Centro do Estado. A área central da cidade preserva aspectos da sua ocupação histórica, sobrados de antigos hotéis e casas comerciais, construídos no alinhamento da calçada. O campanário da Igreja Santo Antônio de Pádua foi inspirado na torre da Igreja de Caorle, na Itália. Quem pretender visitar o município a partir de Porto Alegre, deve seguir em direção a Santa Maria através da RS-509. No trevo de acesso a Santa Maria, sinalizado pelo Monumento do Sol - homenagem aos 120 anos da presença italiana no Estado -, deve dobrar à direita. Subindo a serra pela Estrada do Imigrante, à esquerda há o Val Feltrina, vale da uva, do vinho, dos licores, da cachaça (produzida artesanalmente), das cascatas e trilhas de turismo ecológico. Retomando a estrada do Imigrante em direção à sede do município, se chega à comunidade de Val de Buia, onde foi localizado o barracão que recebeu os primeiros imigrantes italianos da região. Além dos prédios antigos existentes na cidade, é interessante visitar a Igreja Matriz, com sua torre em formato de cálice com uma hóstia na parte superior. Ela abriga, no teto, as pinturas do italiano Ângelo Lazzarini, baseadas em temas bíblicos. No distrito de Vale Vêneto, conheça a Igreja Corpus Christi. Nesse distrito é onde se realiza o Festival Internacional de Música Erudita, todos os anos no final de julho e início de agosto. Pinhal Grande é a cidade onde se localiza a Barragem de Itaúba, uma das principais atrações turísticas da Quarta Colônia. Ao seu lado a CEEE mantém uma reserva ecológica, que pode ser visitada desde que se obtenha a autorização da empresa - o que pode ser feito no próprio local. Mas a barragem não é o único local que merece ser visitado. A cascata da Toca do Tigre, a onze quilômetros da cidade e o Lajeado da Várzea, também a onze quilômetros, são dois locais interessantes. Na cidade, a Igreja Matriz, em estilo gótico, e o Moinho Rubin - que ainda está em operação - se destacam. O mosteiro dos monges cartuxos, denominado Cartuxa Nossa Senhora Medianeira, único na América Latina e que abriga 20 monges, é um dos lugares bonitos de Ivorá, outra cidade da Quarta Colônia. Apenas um dos monges faz contato com o exterior - os demais levam uma vida de oração e silêncio, a dez quilômetros de Ivorá, nas escarpas da serra de São Martinho. Para quem está em busca de convívio com a natureza, Ivorá oferece outras alternativas. Uma delas é uma visita ao balneário Recanto do Moinho, a cinco quilômetros da cidade. Tem quadra de vôlei, infra-estrutura para receber visitantes e uma roda de moinho. Além do balneário, existem vários outros locais de interesse, como cascatas espalhadas por todo o município. Quem precisar de informações para chegar a esses locais, deve procurar o quiosque situado no centro da cidade, na Praça Senador Alberto Pasqualini (que nasceu no município). Duas grandes áreas oferecem lazer e diversão para a população local e turistas. Uma delas é também o mais antigo dos parques da cidade, o Parque Histórico, que ocupa uma faixa na beira do rio e homenageia as origens do município. Para lembrar os colonizadores, uma casa italiana e uma alemã, que estavam no interior do município, foram transferidas e remontadas no parque. A italiana é um sobrado onde, na parte de cima, funciona um museu e, na de baixo, se montaram os cômodos de uma típica casa de colônia, com objetos de época. A casa alemã, por sua vez, é o local usado para exposições e festividades. Além das casas há restaurante, churrasqueiras, pista de motocross e diversas atrações. No lago, uma bomba de recalque aciona uma máquina a vapor, mostrando como era a irrigação do arroz - o principal cultivo do município. A água, por sua vez, aciona uma roda de moinho. Um trator e outros implementos antigos dão aos visitantes uma idéia da vida em uma comunidade rural do passado. O parque oferece, também, a possibilidade de se comprar produtos coloniais. Também no Parque Turístico - a outra área de lazer em Dona Francisca - se poderá comprar produtos coloniais. Ali, de um mirante, se terá uma vista das várzeas dos rios Jacuí e Soturno. No parque, um tobogã de 215 metros de comprimento e um teleférico oferecerão alternativas de lazer aos visitantes. Fora da cidade, entre outros pontos turísticos, destaca-se a furna do Morcedo, uma gruta a 18 quilômetros, localizada em Trombudo. Conheça neste município da Quarta Colônia as pistas de paraglider (uma espécie de pára-quedas usado para se saltar de morros e locais elevados) no Cerro Comprido, um morro com 432 metros de altura, de onde também se salta de asa delta. Existem ainda várias grutas e estão sendo mapeadas diversas trilhas ecológicas, cuja localização pode ser indicada pela Prefeitura local. Nos meses de julho realiza-se o Festival do Vinho e Queijo, com festas, venda de produtos coloniais e a gastronomia típica da região. Nas margens do Rio Soturno e a menos de 500 metros do centro da cidade, o balneário de Nova Palma é a principal atração durante o verão. Mas esse não é o único lugar que vale a pena visitar em Nova Palma. O balneário dispõe de bares, restaurante, cancha de bocha, quadra de vôlei e de futebol sete e um camping com toda a infra-estrutura para 150 barracas. Ali está também o Centro de Informações Turísticas, onde se pode comprar peças de artesanato da região e produtos coloniais - além, é claro, de se obter informações sobre os pontos turísticos do município. Perto da cidade, a cerca de três quilômetros, está a cascata do Pingo, uma queda de cerca de 30 metros de altura e de fácil acesso. Em um outro sentido, a dois quilômetros da sede do município, fica a Usina da Celetro, no Rio Soturno. Ali, os atrativos são o lago da usina, e as quedas de água e piscinas naturais que ficam logo abaixo das quedas. No caminho para a usina é possível fazer uma pausa no Sítio do Binotto, uma propriedade particular que oferece passeios a cavalo e onde se pode fazer um lanche. Se o visitante preferir conhecer uma caverna, deve ir até a localidade de Pinhalzinho, a 14 quilômetros da sede. Na base do morro, em cujo topo está a imagem de Nossa Senhora de Fátima, há uma caverna que pode ser visitada. No caminho para Pinhalzinho, o turista irá passar por várias localidades pequenas do interior, conhecendo as paisagens típicas da região. |